Fundação Cultural Casa Lygia Bojunga

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Un Novo Nicho pra Santa
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quarta-feira, 27 de março de 2013

Estão abertas as visitas para 2013

Um Novo Nicho pra Santa abre a temporada de visitas 
2013

Marque a visita da sua escola, do seu grupo de leitura.
As visitas estão abertas a crianças, adolescentes e adultos.
Grupos: no mínimo seis pessoas, no máximo 20 pessoas.

São três casas com obras que homenageiam artistas e artesãos de Santa.
Há exposições de livros de Lygia Bojunga, prêmios recebidos e obras traduzidas.
Uma vista, uma escada, um caderno feito a mão. O que seus olhos descobrirem!
Planeje o seu dia e envie um email para: ninfaparreiras@gmail.com 
Um Novo Nicho pra Santa está de portas abertas!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Professores do CIEP Oswald de Andrade visitam Um novo nicho pra Santa


foto: arquivo pessoal, planta de orelhas, Casa Lygia Bojunga, inverno 2012

Professores do CIEP Oswald de Andrade 
visitam Um Novo Nicho pra Santa

CIEP 06.22.203 OSWALD DE ANDRADE

Aos professores que participam do projeto Muito Prazer, Eu Sou Leitor.

“ E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”
                                                                                 José Saramago

Dialogando com o texto de Saramago, podemos inicialmente nos perguntar quais e quantas são as coisas que temos tentado ensinar ao longo desses anos em que nos dedicamos à educação. O que será que deixamos de aprender quando não exercitamos nosso olhar atento para as crianças, seu modo de ver a vida e, em especial, para a riqueza presente no patrimônio cultural infindável que é a literatura para crianças?
Mas nenhuma dessas respostas buscaremos agora, pois a  ideia de iniciar esta carta conversando com Saramago é, justamente no oposto sentido dessa reflexão inicial.
No momento em que estamos reunidas (os) numa manhã carioca de sol visitando a Casa Lygia Bojunga (com nossas “bolsas amarelas” repletas de vontades que vivem engordando), a mais rica reflexão é olhar para frente e pensar:
quais e quantas coisas podemos aprender agora que já descobrimos o grande valor da literatura infantil?
É esse potencial de encontros, descobertas, realizações que nos move hoje!
O amadurecimento do nosso projeto de leitura e, sobretudo, o fato de seguirmos firmes com ele, impulsiona o grupo a buscar cada vez mais no universo das histórias infantis o néctar necessário à vida.
Como já afirmamos em outra ocasião: “o projeto, que originalmente intenta garantir ao aluno o direito à literatura de qualidade, demonstra-se também morada segura onde nós, professores da escola, construímos sólidas bases para resistir à avalanche das condições adversas que nos cercam a cada dia.”
Como alpinistas literários, fincamos nossa bandeira no cume dessa montanha e, de certo, nada nos afastará da determinação de que juntas(os) somos fortes o suficiente para construir uma sociedade mais humana, sobretudo porque temos o livro como nosso bom companheiro.
Desejamos a todas e todos um lindo dia literário!

Rio de Janeiro, 08 de agosto de 2012.
Eliane Pimenta e Vânia M. de Feu

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Casa: editora, morada, espaço cultural


Casa: editora, morada, espaço cultural

                                                 Rachel Facó

Visitar a Casa Lygia Bojunga é se deparar com o processo de criação da autora.
É esbarrar no “seu pessoal”, nos moradores da casa: os personagens.
É bater o olho no seu jeito de ver a vida: derrubar parede pra nascer caminho, abrir espaço pra criação.
É passear pela sua simplicidade cheia de significado, cheia de riqueza.
É conhecer um nicho do Rio: Santa Tereza.
É entender tudo-junto-misturado, feito nasceu pra acontecer ao mesmo tempo, a obra e a autora.


foto: arquivo pessoal, Casa Lygia Bojunga

Um caminho feito à mão


Um caminho feito à mão

Rachel Facó

Como a gente descobre que uma coisa é feita à mão? Reparando nos detalhes. Foi de tanto notar que a autora se mete em tudo que faz, que cismei que tudo que ela faz sai assim: feito ela.
  • Os livros da Casa têm uma linha editoral comum, são numerados (únicos), têm diversas interferências da autora (capitulares, assinatura, escolhas pessoais – imagens, gravuras etc), carta pro leitor e a divulgação, quando acontece, é através de um “projeto feito a três (eus): escritora, atriz e andarilha”: as mambembadas.
  • Tudo começa pela mão, o lápis e o papel. O próprio processo da escrita é artesanal, nasce num caderno antes de ir parar em livro.
  • A linguagem adotada pela autora também parece feita à mão: feito a gente ouve no dia-a-dia, feito que aproxima prum papo.


foto: arquivo pessoal, casa Lygia Bojunga

Retrato de uma artesã



“a palavra no papel, a linha no pano, a lã na tela”
Feito à Mão, Lygia Bojunga

Retrato de uma artesã

               Rachel Facó

A autora Lygia Bojunga possui uma obra do seu tamanho: modesta e literariamente rica. São atualmente 22 livros publicados para crianças, jovens e adultos. A autora foi a primeira, fora do eixo Europa-Estados Unidos, em 1982, a ganhar pelo conjunto da obra – na época, com seis livros publicados – o prêmio Hans Christian Andersen - IBBY e, em 2004, foi consagrada com o prêmio ALMA – Astrid Lindgren Memorial Award, a maior premiação concedida até hoje à literatura para crianças e jovens. Detentora também de diversos prêmios nacionais, como o Prêmio Jabuti (1973, “Os colegas” e 1983, “Seis vezes Lucas”) e mais de uma dezena de prêmios conferidos pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ, a autora é referência literária reconhecida.
Em 1999, três anos após a publicação da 1ª edição do “Feito à Mão”, onde o seu eu-artesão deu vida a um livro – da arte de lavrar as palavras, a confecção dos papéis, passando pela encadernação e à entrega, em mãos, dos seus 120 exemplares em uma apresentação teatral – Lygia reluta, mas lança uma edição nos moldes tradicionais: a publicação em escala industrial e distribuição comercial do livro feito à mão. Com ele nasce a “obra” dentro da obra: uma carta de 45 páginas, em um livro de 140, dirigida aos seus leitores – inicialmente, uma maneira de compartilhar e dar vida à textura e às tessituras da edição original do “Feito à Mão”. Com sua linguagem coloquial – marca de todos os seus textos – a autora estabelece uma ponte, uma conexão além do livro, com seus leitores. A verossimilhança de sua narrativa ganha um novo espaço de expressão, a carta nomeada pela autora: o “Pra você que me lê”.
Movida pelo desejo de estreitar a sua relação com o livro, Lygia Bojunga inaugura uma Casa Editorial, em 2002, para todos os seus personagens. Com o livro “Retratos de Carolina”, a editora recebe o seu primeiro “morador” e a autora amplia sua relação com o leitor: mistura-se à personagem e passa a “revelar” o seu processo criativo. O “Pra você que me lê”, que nasceu no livro “Feito à Mão” (Ed. Agir), ganha corpo com a editora e firma-se como um espaço autêntico, de conversa com o leitor. É a autora-artesã abrindo não somente uma editora, mas um canal de interação com o seu leitor à moda antiga. Sem bits e bytes. Feito à mão, papel e tinta.

foto: arquivo pessoal, casa Lygia Bojunga